sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pamplona

Em 2005 frequentei um Curso de Cultura e Língua Espanhola. Como meio de facilitar a aprendisagem, eram exibidos documentários sobre a cultura espanhola. Numa dessas aulas, foi mostrado um video sobre a maior das festas Espanholas, a de San Fermim. O nome não me dizia nada, mas pouco minutos depois estava a ver a famosa corrida de touros ("o encierro") pelas ruas da cidade de Pamplona. Esse evento em particular é a imagem de marca dessas festas. É reconhecido por todo o mundo pelas imagens espectaculares de pessoas a serem projectadas para o ar pelos touros.

Pelo fascínio que provocou, anotei no calendário essa semana de festas e fiquei a imaginar a sensação de adrenalina que era estar a correr pela vida, à frente de um naco de carne de 600kg e com duas "pontas" afiadas.

Este ano fiquei finalmente a saber a sensação!!!

Gostava de vos deixar o relato da experiência e do algum planeamento envolvido. O objectivo é incentivar a qualquer dos leitores a assistirem e participarem neste evento pelo menos uma vez na vida.


Planeamento

A um mês das festas, e depois de ter reservado a semana de férias, comecei a avaliar a viabilidade logística e monetária desta viagem. O primeiro passo foi procurar a localização de Pamplona no mapa. A cidade fica no extremo norte oposto de Espanha. Está a 760km do Porto ou a 910km de Lisboa.

Tinha que escolher o meio de transporte para lá chegar. A primeira hipótese era de automóvel. Demoraria realisticamente 9 horas a lá chegar, já com duas paragens de descanso e reabastecimento. Calculei que a viagem ficasse por 200€ ida e volta (combustível e portagens). Recomendo o site http://www.viamichelin.com que me ajudou a planear a rota e a calcular custos.

Outras opções de viagem eram:
  • Comboio - Pelo serviço SudExpress da CP. Ficava por 107€ até San Sebastian. Outra alternativa seria viajar pela Renfe a partir de Vigo até Pamplona, que fica por 80€.
  • Avião - Ficava 350€ do Porto ou de Vigo.
  • Autocarro - Não pesquisei pelos preços.
Como já tinha decidido que ficava em campismo, decidi levar o carro, tendo em conta toda a tralha que pretendia levar.

Entretanto começo a procurar páginas na web sobre San Fermim para preparar-me para o que iria encontrar. Alguns que recomendo são:

Falta 1 semana. Uma frase recorrente em todos os textos que lia sobre Pamplona, era o quanto complicado (caro) era arranjar alojamento. Sem querer me preocupar muito com o assunto, optei desde logo pelo campismo. Felizmente Pamplona tem oparque de campismo Ezcaba a 7km da cidade. Segundo a página deles, nem precisava de reservar porque conseguem dar vazão a afluência esperada. A estadia ia ficar por 30€ a noite. Este pormenor do alojamento era o única item critico, sem o qual estar "assegurado" não sairia de Portugal. Nesta altura tinha decidido ficar três noites por lá e iria viajar numa segunda-feira. As corridas começavam na terça seguinte, logo às 8h.

Faltam 3 dias. Visita à Decathlon. Ainda tinha falhas de equipamento para campismo de longa data, por isso esta viagem para servir de pretexto para comprar o seguinte: martelo, espigas, colchão insuflável, lanterna de luz ambiente, um canivete ... e muitas tshirts brancas, imprescindiveis para o evento. 

Falta 1 dia. A esta data sabia que nada ia-me deter nesta aventura. Continuava com algum receio da viagem. Nunca tinha conduzido 800km e logo no país estrangeiro. Por incrível que pareça, só agora começava a lembrar-me de eventos que podiam correr mal. Estive à última a procurar na documentação do seguro automóvel o que faço em caso de acidente ou de avaria em Espanha. Também verifiquei quando foi a última revisão ao carro.

Outros pontos que verifiquei na véspera foram:
  • O trajecto indicado no GPS da Garmin. Era diferente numa parte do percurso. Indicava para passar por Tordezillhas enquanto o ViaMichelin indicava por seguir mais a norte, por Leon.
  • A morada do campismo não existia no mapa do GPS. Pior, não haviam estradas à volta de Pamplona. Pelo Google Earth havia várias estradas secundárias. Tive que arranjar um mapa da Garmin actualizado à úlima da hora.
  • Introduzir super-mercados e a decatlhon local no GPS.
  • Verificar pressão dos pneus
  • Lavar o carro e aspira-lo
  • Procurar um mapa de estradas da península ibérica (em papel)
  • Comprar sandes, fruta e àgua.


A viagem

A viagem foi supreendentemente pacifica. Saí às 10h de Portugal e demorei 9h para fazer os 800km. Fiz duas paragens de 30 min só para esticar as costas. Era viciante entrar na autoestrada, olhar para o GPS e ver os KMs a desaparecerem. Ele conta os Km que faltam até à próxima saída. Assim o trajecto foi feito em pequenas etapas de 100km, 50km, ou 25km. Mentalmente imaginava que no total só faltava sucessivamente uma viagem Porto-Algarve, e depois Porto-Lisboa, e por fim Porto-Aveiro.

Estranho é a paisagem espanhola. São planícies sem fim de campos de searas. Ao fim de algumas dezenas de minutos nisto, qualquer monte que via da estrada era motivo de admiração. Impressionante é a quantidade de geradores eólicos e as áreas gigantescas de parques de painéis solares pelos quais passávamos.

Uma agradável surpresa que tive foi quando tive que atestar ("pleno") o depósito de gasolina. Em Espanha o preço por litro era 1€/litro.



Campismo

Chegamos bem Pamplona e dirigimos-nos directamente para o camping Ezcaba. Enquanto esperavamos por fazer o checkin no campismo chegavam algumas pessoas com sacos Decathlon. Até tendas vi a serem estreadas.

Ainda havia lugares disponíveis no campismo mas para maximizar o espaço não poderia estacionar o carro junto à tenda. Mas havia dois parques gigantes pensados para isso. A área de campismo fica ao longo de uma encosta de um monte. Nós acabamos por ficar longe da entrada, num dos patamares mais elevados. Pelo menos estávamos longe da barulheira e tinhamos boa visão sobre o movimento. Depois de montar a tenda e ter atirado tudo lá para dentro, já escurecia por isso decidimos ficar por perto.

Só se ouvia falar Inglês, tudo malta nos seus 20 e poucos anos, sempre com garrafões de sangria na mão e sempre exuberantes. Pelo sotaque, metade ingleses e outra metade australianos. Podemos comprar o ambiente ao vivido em Festivais de Verão.

Havia uma grande área com umas 200 tendas, todas iguais e bem alinhadas. Pertencia ao operador turístico "Fanatics" especializado neste tipo de "Party Tours". Praticamente todos que víamos andavam com as tshirts desse operador. Também se notava a presença dos operadores "Festival Adventures" e "Wicked Travel".

O campismo tinha barracas de bebidas e de alimentação. Funcionava por senhas previamente compradas. Os preços que me lembro são 6€ por frango assado e 2,5€ por copo de sangria. Deram-nos o horário dos autocarros que fazem o percurso directo entre o campismo e a estação de autocarros. (5€ ida e volta). Havia também uma paragem de autocarro citadino, a 15 min a pé do camping, mas por não sabermos o horários acabamos por nunca o usar. 

À noite começou um concerto com uma banda de "covers". Este tipo de grupo foi muito bem escolhido porque tocaram musicas conhecidas, fáceis de ouvir e que puxavam por serem acompanhadas em coro. Nestes momentos é que dá para apreciar o mundo global em que nos encontramos. Temos todos as mesmas referências culturais. Conhecia praticamente o refrão de todas.

E assim terminou à 1h da manhã o "descanso" do primeiro dia. Amanhã já seria a sério e a doer. Teríamos que acordar cedo para conseguirmos apanhar o autocarro para Pamplona e participar na corrida dos touros. Tínhamos que estar lá às 7:30.

Deixo as seguintes notas da minha experiência do campismo:
  • A minha tenda de campismo cabem três pessoas. Mas com tralhas, só cabem duas e mesmo assim não há espaço suficiente por causa das malas e sacos necessários guardar. Ao dia de hoje comprava uma tenda com espaço para quatro pessoas. Claro que a embalagem é muito maior, mas não vou fazer turismo de mochila às costas nos próximos tempos, para me preocupar com isso. 
  • Sacos cama. Se não tiverem problemas de espaço ou peso, comprem dos grandes, dos mais quentes e dos mais baratos. Vai ser a minha próxima compra. O meu saco-cama actual é demasiado técnico, porque é leve, logo frio e por arrasto caro sem necessidade.


El Encierro

Alvorada às 5:30 (4:30 portuguesas)! O despertador nem precisava ter tocado. Minutos antes já se ouvia movimento lá fora o que nos fez despertar algo contrariados pelas 3 horas mal dormidas. Ao sair da tenda e olhar acima do horizonte de tendas uma surpresa, o movimento continuava o mesmo quando nos deitamos. Ninguém dorme !?!?

Fomos para a fila do autocarro e esperamos uns 30 minutos. Enquanto durava esse compasso de espera continuavam a chegar foliões de Pamplona, para dormir. Fizemos a viagem e entramos pela primeira vez na cidade.

Eram 7:30 da manhã e a cidade fervilhava de movimento. Todos vestidos no tradicional branco e cinto e lenço vermelho. Saímos do autocarro, mas estávamos perdidos e sem um mapa que nos guiasse. Aparentemente todos à nossa volta se dirigiam numa só direcção. Seguimo-los naturalmente. A medida de caminhávamos por ruas sucessivas, notava-se uma concentração cada vez maior de pessoas. Reparamos também na impressionante a quantidade de lixo no chão, mas compreensivel tendo em conta a quantidade de pessoas com copos na mão.

Chegamos finalmente a um local onde se amontoavam as pessoas numa dupla cerca de madeira de protecção. Não havia duvidas. A corrida ia passar por ali. Estávamos na Plaza del Ayuntamiento. Nesse preciso momento senti pela primeira aquele "nervoso miudinho"!

Entrar dentro do percurso acabou por ser mais complicado que esperava. Era impossível conseguir furar pela parede de pessoas. Faltavam só uns 20 minutos para o inicio e já estava a ver que ia perder a corrida. Enquanto olhava à volta, passam a correr um grupo de homens nos seus 30 e muitos anos com um jornal na mão. Pelas imagens que conhecia, sabia que um jornal enrolado é usado na corrida para sentir a presença do touro atrás de nós. Saí disparado atrás deles porque talvez soubessem como entrar. Acabaram por se dirigir para outra praça e forçaram a passagem.

Curvo-me por baixo da cerca, levanto-me e tenho vários polícias a olhar para mim de alto a baixo. Dura só um segundo este impasse e logo desviam o olhar para os que tentavam entrar atrás de mim. Avancei logo para a segunda cerca de protecção e entrei finalmente no recinto. Faltavam uns 15 minutos.

O ambiente dentro do percurso estava diferente. Lá fora ainda se bebia álcool, grupos faziam cânticos futebolescos e andavam todos divertidos. Cá dentro reinava uma calma aparente. Muitos liam o jornal da manhã sozinhos e encostados as paredes das casas ou sentados nos passeios, alguns já olhavam concentrados para o horizonte e finalmente pequenos grupos de estrangeiros que só se riam, mas sem dizerem nada uns aos outros.

Descobri que o local onde me encontrava era a Calle de Santo Domingo. Este é o percurso mais exigente de todos. É uma recta de 280m a subir. Custa muito a uma pessoa saudável a correr. Pelo contrário, um touro geneticamente apurado para ter pernas da frente mais pequenas que as de trás, era a inclinação ideal para acelerar e correr ao dobro da nossa velocidade nessa rua. Além de mais como acabou de ser expulso do curral à força de bombinhas explosivas, deve sentir-se furioso e cheio de energia para marrar em tudo que lhe apareça à frente.

Como ainda tinha tempo, fui explorar o percurso. Queria ver a parte mais emblemática, a curva de Mercaderes com a rua Estafeta, onde os touros escorregam contra as paredes. Enquanto furava pela multidão, o sistema de áudio do percurso dava indicações de aviso e precaução em relação à corrida. Acabei por não conseguir lá chegar. Estava uma muralha de pessoas completamente compactadas na praça Consistorial. Nessa altura o nervoso miudinho deu lugar ao pânico. É impossível um bloco de pessoas daqueles conseguir correr naquelas ruas estreitas!!! Estar ali, significava deixar de estar no controlo da situação. Passaria a ser arrastado pelo "estourar" da manada humana ali presente.

Regressei ao local inicial. Esse era o que tinha a menor concentração de pessoas. Neste momento já estava com todos os sentidos em alerta máximo. Deixei de apreciar o ambiente à volta e fiquei estático a olhar para o fundo da rua. Ainda faltava algum tempo.

Ao fundo da rua reparei que havia uma concentração de pessoas estranhamente viradas para uma parede. Fui até lá. Nessa parede estava a estátua de San Fermim, o patrono destas festas. De repente ecoa um "shiiuu", e todos ficam silêncio virados para a estátua. Alguém dá uma indicação vocal e todos rezam em unissimo:

"A San Fermín pedimos por se nuestro patron, nos guíe en el encierro dándonos su bendición. Entzun, arren, San Fermin zu zaitugu patroi, zuzendu gure oinak entzierro hontan otoi. Viva San Fermín! Viva! Gora San Fermin! Gora!"

Esta reza é repetida três vezes, às 07:55, depois às 07:57 e finalmente a 1 minuto antes da largada. Assisti às três. Quando terminou a última, o grupo que até agora estava algo letárgico, explodiu em movimento. Todos começam a cumprimentarem-se e a abraçarem-se enquanto desejavam "buena sorte" e um "até já". Metade do grupo saiu disparado para cima da rua, a outra metade avançou para a barreira policial. O meu nível de adrenalina dispara. Indeciso e sem saber no que me tinha metido, segui aqueles que "fugiram" para o meio do percurso daquela rua particular. Poucos segundos depois, já não se viam pessoas a correr, mas sim parados a dar saltos entre a multidão, virados para o fundo da rua. Ou tentavam ver os touros ou estavam já a aquecer os músculos para o vinha aí.

Explode um foguete! Nesse instante, toda aquela massa humana dispara a correr pelo cimo da rua. O foguete era a indicação que o curral estava aberto. Sem capacidade de discernimento ver o que vinha aí, também corro instintivamente pela vida com a multidão. Na atrapalhação das pessoas a amontoarem-se nos passeios e contra as paredes, há algumas quedas à minha frente.

Entretanto deslumbro uma mancha castanha e negra a passar no canto do olho. Os touros tinham acabado de passar por mim. Praticamente não os vi!!! Ao todo a corrida deve ter durado menos de 30 segundos. Foi um não acontecimento!

2º Dia

No 2º dia, voltei a repetir o ritual de madrugada. Acordar às 5:30 para apanhar o autocarro às 6:30. Mais uma vez, o descanso foi de pouca dura. Para esse dia escolhi o trajecto da Estafeta. Reparei no dia anterior que havia uma câmara de filmar aérea, ao longo desse trajecto por isso devia prometer zona de espéctaculo.

Quando cheguei, outra vez um muro compacto de pessoas pávidas e serenas à espera. Forcei pelo meio até chegar a meio dessa rua. Poucos minutos depois ouve-se o estouro do foguete ... e outra vez o pânico irracional. Fui arrastado pela multidão ao longo das paredes laterais da rua. Mais uma vez, pouco vi dos touros. Estava concentrado em olhar para a frente, a proteger a face de movimentos mais bruscos da multidão e das habituais quedas. Assim nem dá para gozar o evento. É como se os touros não precisassem de estar ali. A emoção e a adrenalina está no correr com um grupo compacto de pessoas, num corredor que parece cada vez mais estreito.

3º Dia

Terceiro e último dia. Não me apetecia estar na confusão. Não queria participar na histeria em massa dos dias anteriores. Decidi que desta vez queria ver finalmente os touros. O único local onde tal é possível em relativa segurança, é na recta logo após a abertura do curral. Aí apanho-os logo de frente. Pode parecer contra-procedente encarar a morte olhos nos olhos, mas pelos dias anterior apercebi-me que o perigo está nas pessoas e não nos touros. 

 
Nessa recta a policia faz uma barreira policial e dão uma centena de metros de estrada desimpedida para os touros acelerarem. Desta vez arrisquei levar a máquina fotográfica. Minutos antes, consegui colar-me à terceira fila atrás dessa barreira.
 
Boom! Desta vez o foguete foi perfeitamente audível. O cordão policial começa a abrir pelo meio. As pessoas começam a forçar a passagem e a afunilar. De repente já não tinha ninguém à minha volta. As pessoas correram para os passeios e penduravam-se nas cercas. Atrás de mim, as pessoas já fugiam pela rua. Nesse momento acobardei-me! Não tive coragem de ficar no meio da estrada à espera dos touros e fugi para o passeio. Mesmo assim, desta vez foi perfeitamente audível o aproximar da manada. Poucos segundos depois passavam à minha frente. Eram 6 touros e 8 "cabestros" (touros mansos). Finalmente me apercebi do tamanho gigantesco destas animais e do quanto afiados são os seus cornos. 
 
Mal passaram por mim, corri juntamente com a multidão atrás deles. Poucos segundos depois já não os via. Restava só o deslumbre de pessoas tombadas no chão, ou a coxear, e os grupos de equipas de emergência médica à volta de alguém mais ferido. Não paro e continuo a correr. 
 
A meio do percurso fecham o inicio da estreita rua da Estafeta. Presumo que seja uma medida para controlar a multidão. Assim impedem que entrem nessa recta uma torrente de pessoas quando esta já está sobrelotada. Passado um minuto abrem o portão e recomeço a minha corrida. É incrivel como no espaço de um minuto a calma regressa a essa rua. Poucas pessoas corriam. Surreal foi ver a sincronia de todas as lojas ao longo da rua, a reabrir para o negócio do dia. Só se via a retirarem as protecções das vitrinas ou a subir as persianas de metal. Algumas pessoas já estavam com os copos na mão. Devia ser 8:10 min.

Continuava a correr pela rua. Comecei a ouvir ao longe o tilintar dos sinos de mais uma manada de "cabestros" a aproximar. Este segundo grupo é usado para acalmar algum touro que se tenha perdido da manada e esteja a provocar estragos no percurso. Essa situação é normal ocorrer. Acontece quando um touro escorrega na calçada. Quando se levanta já não consegue ver a restante manada e fica desorientado. Só vê um circulo compacto de pessoas à sua volta. Essa é a real situação de perigo. É quando o touro começa a marrar em qualquer coisa que se atravesse à frente. Só quando deslumbra os cabestros, é que se junta a eles e segue-os ao longo da rua.

Cheguei ao segmento de rua chamado Telefónica e deslumbro a praça de touros. As pessoas à minha frente entravam pelo portão e segui-as. No preciso momento que ponho o pé na entrada do túnel, sou surpreendido por imponentes touros mansos que me ultrapassam. Estes estavam à distância de um braço estendido. No segundo seguinte, estou a pisar a arena. À minha volta, deslumbro as bancadas apinhadas de gente e um coro de vivas e palmas como num estádio de futebol. Senti que eram em celebração dirigidos a mim como culminar de sobrevivido a três dias histeria. 

Deixei-me estar na arena em paz de espírito a apreciar aquele momento único. Haviam dois videos walls gigantes nas bancadas, que passavam continuamente os melhores momentos da corrida de hoje. Um touro pequeno foi largado para dispersar o pessoal com as suas marradas e para entreter quem assistia. Ao fim de 20 minutos, saltei para a bancada e fui embora. Tinha terminado a minha participação em San Fermim, mas ficou a promessa de regressar numa próxima oportunidade.