sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pamplona

Em 2005 frequentei um Curso de Cultura e Língua Espanhola. Como meio de facilitar a aprendisagem, eram exibidos documentários sobre a cultura espanhola. Numa dessas aulas, foi mostrado um video sobre a maior das festas Espanholas, a de San Fermim. O nome não me dizia nada, mas pouco minutos depois estava a ver a famosa corrida de touros ("o encierro") pelas ruas da cidade de Pamplona. Esse evento em particular é a imagem de marca dessas festas. É reconhecido por todo o mundo pelas imagens espectaculares de pessoas a serem projectadas para o ar pelos touros.

Pelo fascínio que provocou, anotei no calendário essa semana de festas e fiquei a imaginar a sensação de adrenalina que era estar a correr pela vida, à frente de um naco de carne de 600kg e com duas "pontas" afiadas.

Este ano fiquei finalmente a saber a sensação!!!

Gostava de vos deixar o relato da experiência e do algum planeamento envolvido. O objectivo é incentivar a qualquer dos leitores a assistirem e participarem neste evento pelo menos uma vez na vida.


Planeamento

A um mês das festas, e depois de ter reservado a semana de férias, comecei a avaliar a viabilidade logística e monetária desta viagem. O primeiro passo foi procurar a localização de Pamplona no mapa. A cidade fica no extremo norte oposto de Espanha. Está a 760km do Porto ou a 910km de Lisboa.

Tinha que escolher o meio de transporte para lá chegar. A primeira hipótese era de automóvel. Demoraria realisticamente 9 horas a lá chegar, já com duas paragens de descanso e reabastecimento. Calculei que a viagem ficasse por 200€ ida e volta (combustível e portagens). Recomendo o site http://www.viamichelin.com que me ajudou a planear a rota e a calcular custos.

Outras opções de viagem eram:
  • Comboio - Pelo serviço SudExpress da CP. Ficava por 107€ até San Sebastian. Outra alternativa seria viajar pela Renfe a partir de Vigo até Pamplona, que fica por 80€.
  • Avião - Ficava 350€ do Porto ou de Vigo.
  • Autocarro - Não pesquisei pelos preços.
Como já tinha decidido que ficava em campismo, decidi levar o carro, tendo em conta toda a tralha que pretendia levar.

Entretanto começo a procurar páginas na web sobre San Fermim para preparar-me para o que iria encontrar. Alguns que recomendo são:

Falta 1 semana. Uma frase recorrente em todos os textos que lia sobre Pamplona, era o quanto complicado (caro) era arranjar alojamento. Sem querer me preocupar muito com o assunto, optei desde logo pelo campismo. Felizmente Pamplona tem oparque de campismo Ezcaba a 7km da cidade. Segundo a página deles, nem precisava de reservar porque conseguem dar vazão a afluência esperada. A estadia ia ficar por 30€ a noite. Este pormenor do alojamento era o única item critico, sem o qual estar "assegurado" não sairia de Portugal. Nesta altura tinha decidido ficar três noites por lá e iria viajar numa segunda-feira. As corridas começavam na terça seguinte, logo às 8h.

Faltam 3 dias. Visita à Decathlon. Ainda tinha falhas de equipamento para campismo de longa data, por isso esta viagem para servir de pretexto para comprar o seguinte: martelo, espigas, colchão insuflável, lanterna de luz ambiente, um canivete ... e muitas tshirts brancas, imprescindiveis para o evento. 

Falta 1 dia. A esta data sabia que nada ia-me deter nesta aventura. Continuava com algum receio da viagem. Nunca tinha conduzido 800km e logo no país estrangeiro. Por incrível que pareça, só agora começava a lembrar-me de eventos que podiam correr mal. Estive à última a procurar na documentação do seguro automóvel o que faço em caso de acidente ou de avaria em Espanha. Também verifiquei quando foi a última revisão ao carro.

Outros pontos que verifiquei na véspera foram:
  • O trajecto indicado no GPS da Garmin. Era diferente numa parte do percurso. Indicava para passar por Tordezillhas enquanto o ViaMichelin indicava por seguir mais a norte, por Leon.
  • A morada do campismo não existia no mapa do GPS. Pior, não haviam estradas à volta de Pamplona. Pelo Google Earth havia várias estradas secundárias. Tive que arranjar um mapa da Garmin actualizado à úlima da hora.
  • Introduzir super-mercados e a decatlhon local no GPS.
  • Verificar pressão dos pneus
  • Lavar o carro e aspira-lo
  • Procurar um mapa de estradas da península ibérica (em papel)
  • Comprar sandes, fruta e àgua.


A viagem

A viagem foi supreendentemente pacifica. Saí às 10h de Portugal e demorei 9h para fazer os 800km. Fiz duas paragens de 30 min só para esticar as costas. Era viciante entrar na autoestrada, olhar para o GPS e ver os KMs a desaparecerem. Ele conta os Km que faltam até à próxima saída. Assim o trajecto foi feito em pequenas etapas de 100km, 50km, ou 25km. Mentalmente imaginava que no total só faltava sucessivamente uma viagem Porto-Algarve, e depois Porto-Lisboa, e por fim Porto-Aveiro.

Estranho é a paisagem espanhola. São planícies sem fim de campos de searas. Ao fim de algumas dezenas de minutos nisto, qualquer monte que via da estrada era motivo de admiração. Impressionante é a quantidade de geradores eólicos e as áreas gigantescas de parques de painéis solares pelos quais passávamos.

Uma agradável surpresa que tive foi quando tive que atestar ("pleno") o depósito de gasolina. Em Espanha o preço por litro era 1€/litro.



Campismo

Chegamos bem Pamplona e dirigimos-nos directamente para o camping Ezcaba. Enquanto esperavamos por fazer o checkin no campismo chegavam algumas pessoas com sacos Decathlon. Até tendas vi a serem estreadas.

Ainda havia lugares disponíveis no campismo mas para maximizar o espaço não poderia estacionar o carro junto à tenda. Mas havia dois parques gigantes pensados para isso. A área de campismo fica ao longo de uma encosta de um monte. Nós acabamos por ficar longe da entrada, num dos patamares mais elevados. Pelo menos estávamos longe da barulheira e tinhamos boa visão sobre o movimento. Depois de montar a tenda e ter atirado tudo lá para dentro, já escurecia por isso decidimos ficar por perto.

Só se ouvia falar Inglês, tudo malta nos seus 20 e poucos anos, sempre com garrafões de sangria na mão e sempre exuberantes. Pelo sotaque, metade ingleses e outra metade australianos. Podemos comprar o ambiente ao vivido em Festivais de Verão.

Havia uma grande área com umas 200 tendas, todas iguais e bem alinhadas. Pertencia ao operador turístico "Fanatics" especializado neste tipo de "Party Tours". Praticamente todos que víamos andavam com as tshirts desse operador. Também se notava a presença dos operadores "Festival Adventures" e "Wicked Travel".

O campismo tinha barracas de bebidas e de alimentação. Funcionava por senhas previamente compradas. Os preços que me lembro são 6€ por frango assado e 2,5€ por copo de sangria. Deram-nos o horário dos autocarros que fazem o percurso directo entre o campismo e a estação de autocarros. (5€ ida e volta). Havia também uma paragem de autocarro citadino, a 15 min a pé do camping, mas por não sabermos o horários acabamos por nunca o usar. 

À noite começou um concerto com uma banda de "covers". Este tipo de grupo foi muito bem escolhido porque tocaram musicas conhecidas, fáceis de ouvir e que puxavam por serem acompanhadas em coro. Nestes momentos é que dá para apreciar o mundo global em que nos encontramos. Temos todos as mesmas referências culturais. Conhecia praticamente o refrão de todas.

E assim terminou à 1h da manhã o "descanso" do primeiro dia. Amanhã já seria a sério e a doer. Teríamos que acordar cedo para conseguirmos apanhar o autocarro para Pamplona e participar na corrida dos touros. Tínhamos que estar lá às 7:30.

Deixo as seguintes notas da minha experiência do campismo:
  • A minha tenda de campismo cabem três pessoas. Mas com tralhas, só cabem duas e mesmo assim não há espaço suficiente por causa das malas e sacos necessários guardar. Ao dia de hoje comprava uma tenda com espaço para quatro pessoas. Claro que a embalagem é muito maior, mas não vou fazer turismo de mochila às costas nos próximos tempos, para me preocupar com isso. 
  • Sacos cama. Se não tiverem problemas de espaço ou peso, comprem dos grandes, dos mais quentes e dos mais baratos. Vai ser a minha próxima compra. O meu saco-cama actual é demasiado técnico, porque é leve, logo frio e por arrasto caro sem necessidade.


El Encierro

Alvorada às 5:30 (4:30 portuguesas)! O despertador nem precisava ter tocado. Minutos antes já se ouvia movimento lá fora o que nos fez despertar algo contrariados pelas 3 horas mal dormidas. Ao sair da tenda e olhar acima do horizonte de tendas uma surpresa, o movimento continuava o mesmo quando nos deitamos. Ninguém dorme !?!?

Fomos para a fila do autocarro e esperamos uns 30 minutos. Enquanto durava esse compasso de espera continuavam a chegar foliões de Pamplona, para dormir. Fizemos a viagem e entramos pela primeira vez na cidade.

Eram 7:30 da manhã e a cidade fervilhava de movimento. Todos vestidos no tradicional branco e cinto e lenço vermelho. Saímos do autocarro, mas estávamos perdidos e sem um mapa que nos guiasse. Aparentemente todos à nossa volta se dirigiam numa só direcção. Seguimo-los naturalmente. A medida de caminhávamos por ruas sucessivas, notava-se uma concentração cada vez maior de pessoas. Reparamos também na impressionante a quantidade de lixo no chão, mas compreensivel tendo em conta a quantidade de pessoas com copos na mão.

Chegamos finalmente a um local onde se amontoavam as pessoas numa dupla cerca de madeira de protecção. Não havia duvidas. A corrida ia passar por ali. Estávamos na Plaza del Ayuntamiento. Nesse preciso momento senti pela primeira aquele "nervoso miudinho"!

Entrar dentro do percurso acabou por ser mais complicado que esperava. Era impossível conseguir furar pela parede de pessoas. Faltavam só uns 20 minutos para o inicio e já estava a ver que ia perder a corrida. Enquanto olhava à volta, passam a correr um grupo de homens nos seus 30 e muitos anos com um jornal na mão. Pelas imagens que conhecia, sabia que um jornal enrolado é usado na corrida para sentir a presença do touro atrás de nós. Saí disparado atrás deles porque talvez soubessem como entrar. Acabaram por se dirigir para outra praça e forçaram a passagem.

Curvo-me por baixo da cerca, levanto-me e tenho vários polícias a olhar para mim de alto a baixo. Dura só um segundo este impasse e logo desviam o olhar para os que tentavam entrar atrás de mim. Avancei logo para a segunda cerca de protecção e entrei finalmente no recinto. Faltavam uns 15 minutos.

O ambiente dentro do percurso estava diferente. Lá fora ainda se bebia álcool, grupos faziam cânticos futebolescos e andavam todos divertidos. Cá dentro reinava uma calma aparente. Muitos liam o jornal da manhã sozinhos e encostados as paredes das casas ou sentados nos passeios, alguns já olhavam concentrados para o horizonte e finalmente pequenos grupos de estrangeiros que só se riam, mas sem dizerem nada uns aos outros.

Descobri que o local onde me encontrava era a Calle de Santo Domingo. Este é o percurso mais exigente de todos. É uma recta de 280m a subir. Custa muito a uma pessoa saudável a correr. Pelo contrário, um touro geneticamente apurado para ter pernas da frente mais pequenas que as de trás, era a inclinação ideal para acelerar e correr ao dobro da nossa velocidade nessa rua. Além de mais como acabou de ser expulso do curral à força de bombinhas explosivas, deve sentir-se furioso e cheio de energia para marrar em tudo que lhe apareça à frente.

Como ainda tinha tempo, fui explorar o percurso. Queria ver a parte mais emblemática, a curva de Mercaderes com a rua Estafeta, onde os touros escorregam contra as paredes. Enquanto furava pela multidão, o sistema de áudio do percurso dava indicações de aviso e precaução em relação à corrida. Acabei por não conseguir lá chegar. Estava uma muralha de pessoas completamente compactadas na praça Consistorial. Nessa altura o nervoso miudinho deu lugar ao pânico. É impossível um bloco de pessoas daqueles conseguir correr naquelas ruas estreitas!!! Estar ali, significava deixar de estar no controlo da situação. Passaria a ser arrastado pelo "estourar" da manada humana ali presente.

Regressei ao local inicial. Esse era o que tinha a menor concentração de pessoas. Neste momento já estava com todos os sentidos em alerta máximo. Deixei de apreciar o ambiente à volta e fiquei estático a olhar para o fundo da rua. Ainda faltava algum tempo.

Ao fundo da rua reparei que havia uma concentração de pessoas estranhamente viradas para uma parede. Fui até lá. Nessa parede estava a estátua de San Fermim, o patrono destas festas. De repente ecoa um "shiiuu", e todos ficam silêncio virados para a estátua. Alguém dá uma indicação vocal e todos rezam em unissimo:

"A San Fermín pedimos por se nuestro patron, nos guíe en el encierro dándonos su bendición. Entzun, arren, San Fermin zu zaitugu patroi, zuzendu gure oinak entzierro hontan otoi. Viva San Fermín! Viva! Gora San Fermin! Gora!"

Esta reza é repetida três vezes, às 07:55, depois às 07:57 e finalmente a 1 minuto antes da largada. Assisti às três. Quando terminou a última, o grupo que até agora estava algo letárgico, explodiu em movimento. Todos começam a cumprimentarem-se e a abraçarem-se enquanto desejavam "buena sorte" e um "até já". Metade do grupo saiu disparado para cima da rua, a outra metade avançou para a barreira policial. O meu nível de adrenalina dispara. Indeciso e sem saber no que me tinha metido, segui aqueles que "fugiram" para o meio do percurso daquela rua particular. Poucos segundos depois, já não se viam pessoas a correr, mas sim parados a dar saltos entre a multidão, virados para o fundo da rua. Ou tentavam ver os touros ou estavam já a aquecer os músculos para o vinha aí.

Explode um foguete! Nesse instante, toda aquela massa humana dispara a correr pelo cimo da rua. O foguete era a indicação que o curral estava aberto. Sem capacidade de discernimento ver o que vinha aí, também corro instintivamente pela vida com a multidão. Na atrapalhação das pessoas a amontoarem-se nos passeios e contra as paredes, há algumas quedas à minha frente.

Entretanto deslumbro uma mancha castanha e negra a passar no canto do olho. Os touros tinham acabado de passar por mim. Praticamente não os vi!!! Ao todo a corrida deve ter durado menos de 30 segundos. Foi um não acontecimento!

2º Dia

No 2º dia, voltei a repetir o ritual de madrugada. Acordar às 5:30 para apanhar o autocarro às 6:30. Mais uma vez, o descanso foi de pouca dura. Para esse dia escolhi o trajecto da Estafeta. Reparei no dia anterior que havia uma câmara de filmar aérea, ao longo desse trajecto por isso devia prometer zona de espéctaculo.

Quando cheguei, outra vez um muro compacto de pessoas pávidas e serenas à espera. Forcei pelo meio até chegar a meio dessa rua. Poucos minutos depois ouve-se o estouro do foguete ... e outra vez o pânico irracional. Fui arrastado pela multidão ao longo das paredes laterais da rua. Mais uma vez, pouco vi dos touros. Estava concentrado em olhar para a frente, a proteger a face de movimentos mais bruscos da multidão e das habituais quedas. Assim nem dá para gozar o evento. É como se os touros não precisassem de estar ali. A emoção e a adrenalina está no correr com um grupo compacto de pessoas, num corredor que parece cada vez mais estreito.

3º Dia

Terceiro e último dia. Não me apetecia estar na confusão. Não queria participar na histeria em massa dos dias anteriores. Decidi que desta vez queria ver finalmente os touros. O único local onde tal é possível em relativa segurança, é na recta logo após a abertura do curral. Aí apanho-os logo de frente. Pode parecer contra-procedente encarar a morte olhos nos olhos, mas pelos dias anterior apercebi-me que o perigo está nas pessoas e não nos touros. 

 
Nessa recta a policia faz uma barreira policial e dão uma centena de metros de estrada desimpedida para os touros acelerarem. Desta vez arrisquei levar a máquina fotográfica. Minutos antes, consegui colar-me à terceira fila atrás dessa barreira.
 
Boom! Desta vez o foguete foi perfeitamente audível. O cordão policial começa a abrir pelo meio. As pessoas começam a forçar a passagem e a afunilar. De repente já não tinha ninguém à minha volta. As pessoas correram para os passeios e penduravam-se nas cercas. Atrás de mim, as pessoas já fugiam pela rua. Nesse momento acobardei-me! Não tive coragem de ficar no meio da estrada à espera dos touros e fugi para o passeio. Mesmo assim, desta vez foi perfeitamente audível o aproximar da manada. Poucos segundos depois passavam à minha frente. Eram 6 touros e 8 "cabestros" (touros mansos). Finalmente me apercebi do tamanho gigantesco destas animais e do quanto afiados são os seus cornos. 
 
Mal passaram por mim, corri juntamente com a multidão atrás deles. Poucos segundos depois já não os via. Restava só o deslumbre de pessoas tombadas no chão, ou a coxear, e os grupos de equipas de emergência médica à volta de alguém mais ferido. Não paro e continuo a correr. 
 
A meio do percurso fecham o inicio da estreita rua da Estafeta. Presumo que seja uma medida para controlar a multidão. Assim impedem que entrem nessa recta uma torrente de pessoas quando esta já está sobrelotada. Passado um minuto abrem o portão e recomeço a minha corrida. É incrivel como no espaço de um minuto a calma regressa a essa rua. Poucas pessoas corriam. Surreal foi ver a sincronia de todas as lojas ao longo da rua, a reabrir para o negócio do dia. Só se via a retirarem as protecções das vitrinas ou a subir as persianas de metal. Algumas pessoas já estavam com os copos na mão. Devia ser 8:10 min.

Continuava a correr pela rua. Comecei a ouvir ao longe o tilintar dos sinos de mais uma manada de "cabestros" a aproximar. Este segundo grupo é usado para acalmar algum touro que se tenha perdido da manada e esteja a provocar estragos no percurso. Essa situação é normal ocorrer. Acontece quando um touro escorrega na calçada. Quando se levanta já não consegue ver a restante manada e fica desorientado. Só vê um circulo compacto de pessoas à sua volta. Essa é a real situação de perigo. É quando o touro começa a marrar em qualquer coisa que se atravesse à frente. Só quando deslumbra os cabestros, é que se junta a eles e segue-os ao longo da rua.

Cheguei ao segmento de rua chamado Telefónica e deslumbro a praça de touros. As pessoas à minha frente entravam pelo portão e segui-as. No preciso momento que ponho o pé na entrada do túnel, sou surpreendido por imponentes touros mansos que me ultrapassam. Estes estavam à distância de um braço estendido. No segundo seguinte, estou a pisar a arena. À minha volta, deslumbro as bancadas apinhadas de gente e um coro de vivas e palmas como num estádio de futebol. Senti que eram em celebração dirigidos a mim como culminar de sobrevivido a três dias histeria. 

Deixei-me estar na arena em paz de espírito a apreciar aquele momento único. Haviam dois videos walls gigantes nas bancadas, que passavam continuamente os melhores momentos da corrida de hoje. Um touro pequeno foi largado para dispersar o pessoal com as suas marradas e para entreter quem assistia. Ao fim de 20 minutos, saltei para a bancada e fui embora. Tinha terminado a minha participação em San Fermim, mas ficou a promessa de regressar numa próxima oportunidade.

sábado, 13 de junho de 2009

Canyoning

Canyoning

Ribeira de Frades, Arouca, Portugal

Mais um fim-de-semana, mais uma experiência nova. Desta vez foi Canyoning.

Esta é uma actividade de ar livre, que consiste em descer cursos de água. Normalmente são nascentes de rios que estão em locais remotos e de difícil acesso. Quando deixa de ser possível caminhar pelas suas margens, entra a componente mais radical desta actividade. Caminha-se ou nada-se pelo seu leito. Quando existem obstáculos, descidas a pique e cascatas, usa-se cordas. E para os mais corajosos, podem experimentar a sensação de saltar directamente para as poças de água, sempre de uma altura de 5 metros para cima.


O ponto de encontro foi no convento de Arouca. Depois seguimos por estradas perdidas nos montes até chegar ao lugar de Rio de Frades.


Começou com o normal "breafing" do que nos esperava. Vestimos os fatos térmicos e colocamos um capacete.


A seguir veio uma desagradável surpresa. Era necessário caminhar até à partida. Foram 20 penosos minutos, sempre a subir e a cozer ao Sol, dentro dos fatos. Mas pelo menos ficamos a saber que a aquela região era muito conhecida devido as suas minas de volfrâmio, essencial para as máquinas de guerra durante da 2º Guerra Mundial.


Mal chegamos ao destino, a vontade de mergulhar no Rio era grande. Mas bastou molhar os pés para voltar a sair. A água estava gelada!!!


E assim começou o percurso. A primeira sensação que temos é o quanto dificil é caminhar em leito de rios rochosos. Um pé em falso e escorrega-se facilmente. Por isso naturalmente acabamos todos por nos arrastar na àgua, sempre com 5 apoios colados ao chão (pés, mãos e o rabo).


Primeira cascata, primeira descida em rappel. Faltavam mais duas, cada uma mais exigente que a anterior.


Houve quem não queria esperar para descer e teve a coragem de saltar os 5 metros.


Havia partes do percurso mais "trialeiras". Mais uma vez a dificuldade era arranjar pontos de apoio. Enquanto podemos pensar que desçer por cordas ou saltar para a água é arriscado, o verdadeiro perigo estava quando nos deslocavamos no rio. A qualquer momento podemos sem saber, torçer um pé ou desequilibrar-mos e bater com a cabeça numa pedra.


A última e mais complicada descida com cordas. A água caía directamente sobre as pessoas o que dava a estranha sensação de não se conseguir respirar. Também era necessário a meio deslocar da direita para a esquerda para a base de apoio no fim. Muitos ficaram "bloqueados" nesta descida. A alternativa de saltar também era o mais assustador. Não era pela altura, mas pelas rochas pontiagudas que havia na base. Era preciso um enorme salto para a frente e acreditar que o arco que se faz, termina para além dessas rochas.

E foi assim que demoramos 4 horas a concluir um percurso de 1,5km. Parece ser um tempo ridiculamente lento, mas como foi um grupo de 10 pessoas, era sempre necessário esperar por todos antes de "atacar" a descida seguinte. Os monitores da activadade fazem sozinhos em 30 minutos, mas só a fazer os saltos para a água e não descer com cordas.


No fim, outra surpresa. Apanhamos um atalho (túnel) pelo meio da montanha para chegar ao ponto de partida. A luminosidade da fotografia engana. Estava escuro como breu e só às apalpadelas avançava-se.

No fim tudo correu bem e foi um dia muito bem passado. Para isso agradeço aoClube do Paiva que organizou a actividade e ao prometor ADEFACEC por ter enviado o email a convidar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

BTT - 2º BioMaratona Rota dos Esteiros

Uma nova actividade: 50 km em BTT. O evento era a BioMaratona BTT, organizada por uma associação desportiva de Estarreja - Os Trepa.

Foi a primeira prova que alguma vez participei e foi suficiente para ficar cliente para sempre. Foi fácil especialmente por não ter nenhum declive e por decorrer nas bonitas paisagens da ria de Aveiro.

Também foi a prova de estreia da minha bicicleta de 2 anos e meio. Ela nunca conheceu terra, lama, areia e mato, até este dia. No fim não me deixou ficar mal e portou-se bem! Basta uma lavadela para ficar como nova.

Mesmo assim deixo algumas notas já para o próximo ano:
  • Verificar a pressão dos pneus - Este era básico! Antes de começar a prova dei uma vista de olhos aos pneus da bicicleta e tinham bom aspecto (de estar cheínhos). Começou a prova e ao fim de um 1km estava a ser ultrapassado por todos. Devia estar mesmo em má forma física. Este ritmo deprimente continuou durante as horas seguintes. Estranhei foi quando chegava às raras secções de piso solto de areia. Reencontrava os adversários a pé e a arrastar a bicicleta enquanto os ultrapassava. A explicação foi logo evidente nesse momento, pressão nos pneus mais baixa. Ajuda nesse tipo de piso, mas é um martírio nos restantes 99% de trilhos da prova.
Areia
  • Mochila com ferramentas básicas - Estava a meio da prova, em percursos perdidos no meio do nada e sem ninguém por perto, quando me lembrei que bastava um furo, e tinha que arrastar a bicicleta à mão uma dezena de quilómetros. Não custa nada levar uma câmara de ar suplementar e respectiva bomba de ar. Felizmente nada aconteceu.
  • Óculos - Antes da prova choveu e o tempo continuava encoberto. Decidi deixar os óculos de Sol no carro. GRANDE ERRO! Ao fim de 5 minutos, mal saímos do alcatrão e entramos no primeiro trilho, todo o pelotão entra num lamaçal e ... deixei de ver! Os pneus das bicicletas projectaram para o ar todo o tipo de detritos (areia, gravilha, lama e bosta de vaca), que facilmente chegaram aos olhos.
Lama
  • Reabastecimento - Havia uma zona de reabastecimento ao fim de 20km. A organização providenciava água, bananas, laranjas, chocolates KitKat e copos de gelatina. E foi à base destes todos cinco ingredientes que fiz um "pequeno" piquenique, de 20 minutos, enquanto todos os participante paravam e partiam em 20 segundos. Exagerei na comida porque depois senti-me cheio.
  • Lavagem e transporte - Quando finalmente cheguei, a bicicleta devia pesar mais um quilo, tal era a quantidade de lama, encrostada no quadro. Estava em tal mau estado que havia mudanças constantemente a saltar de carretos. Felizmente a organização providenciou uma zona de lavagem das "biclas" a qual esperei em fila pela minha vez. Depois de passar rapidamente uma mangueirada à pressão, estava com melhor aspecto e guardei-a dentro do carro. No dia seguinte entrei no carro para a levar ao mecânico para afinar. O carro cheirava a "bosta"! Ou devia a ter lavado melhor (à escova), ou era altura de comprar os suportes para cima do carro, como todos os outros que estavam no parque de estacionamento.

  • Calções - Não levei calções "com pensos" típicos de ciclismo. Não me lembro de querer estar sentado no resto do dia ;)

Actualização: Algumas fotos do evento que encontrei na web:

domingo, 24 de maio de 2009

4ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro

Mais uma meia-maratona de 21km! Mas desta vez não fica para história um tempo recorde (só a fiz em 2h), nem por ser uma mega concentração de participantes (só 6.000). 

Esta é digna de ser referida neste blogue por a considerar com o melhor percurso  de todas as que participei.

Esta prova decorre em Peso da Régua, a 100km do Porto. Esta região é imagem de marca do Douro, com as vinhas plantadas em socalcos, a descair para o Rio Douro. 

O percurso começa na estrada por cima da Barragem da Bagaúste. Depois do tiro da partida viramos para a esquerda, a subir o Rio. Em menos de 1 minuto, desaparecem as habitações e pessoas.

E assim começa um percurso pelas margens do Rio. É um silêncio tal que só se houve o som das sapatilhas a bater no alcatrão. Isto só é perceptivel para quem ficar logo para o fim, como eu. Esta "monotonia" só é quebrada pela passagem ocasional dos barcos de turismo, ou então pelos sumptuosos solares e vivendas que aparecem a cada esquina. Esta é a prova ideal para finalmente apreciar com calma a boa música guardada no IPOD. E já agora, um copito do vinho do Porto ... perguntem pela garrafa no reabastecimento.

Margem do rio

A única critica que posso indicar ao percurso é ser feito na mesma estrada, nas duas direcções. Já que facultaram autocarros para nos levarem para a partida, podiam-nos deixar ainda mais longe. 

Em compensação, agradecemos todos no fim da prova, a disponibilidade de banhos de água quente. Ao fim de duas horas ao Sol e a suar, sabe sempre bem passar por água. 

Por tudo isto, está recomendado. Para quem tiver curiosidade por mais informações ou quiser mesmo participar, consultem esta página da organização. 

Foto de grupo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Canoagem no Rio Cávado

Para variar, desta vez não vou escrever um grande texto. Vou deixar as fotografias contarem por mim. Neste feriado de 1 de Maio, fiz um passeio de canoa. O objectivo foi descer o Rio Cávado.


Quem tiver curiosidade, pode encontrar estes barcos à venda naDecathlon.

Percurso começou 6,8 Km a montante de Barcelinhos, num açude existente (Azenhas areias de vilar). 



Começou com um "briefing" de 5 minutos. Os pontos referidos foram:
  • Divisão das pessoas pelas canoas: intercalar no mesma canoa quem sabe e não sabe nadar, quem já tem experiência ou não,
  • Nunca passar à frente do semi-rígido dos bombeiros de Barcelos,
  • Dois pontos de paragem para atravessar açudes,
  • Um ligeiro rápido imediatamente antes de terminar o passeio.
 


A partida às 14h45m! Estimo que estavam 100 barcos na àgua. Esta foto foi tirada a meio do pelotão.



No dia anterior houve algumas dúvidas entre nós com o que se devia/podia vestir e levar no passeio. Aqui ficam as minhas recomendações com o que aprendi: 
  • Calçar chinelos, botins neoprene ou mesmo crocks. Não façam descalços porque é preciso muitas vezes caminhar no leito do rio ou nas margens. Não usar sapatilhas porque ficam ensopadas.
  • Calções de praia, se possível dos compridos.
  • Tshirt de manga comprida e chapeu de abas. O Sol bate forte durante mais de três horas. Mas como estamos no rio molhados e com uma brisa fria constante, não nos apercebemos disso. Pessoalmente arrependi-me de não ter levado a minha t-shirt de lycra preta (do mergulho). A meio fiquei com muito frio por estar completamente encharcado.
  • Óculos de sol. A luz solar reflecte na àgua como um espelho e cega por completo com a sua claridade.
  • Uma garrafa de àgua.
  • Eu levei uma mochila com uma t-shirt e toalha. O objectivo era trocar no fim. Mas quando chegamos, escorria àgua lá de dentro e não serviu de nada. Felizmente trazia mais roupa e calçado no carro. Mas para a próxima estaciono o carro mais perto da chegada e se precisar levar alguma coisa, embrulho num saco plástico. 
  • Máquina fotográfica com protecção de salpicos. Apesar de ser em àguas calmas, muitas fotos ficaram por tirar porque precisava sempre de a tirar de um saco plástico.
NOTA: Lembrem-se de prender ao barco tudo que levem. Vi 3 barcos a cometerem a proeza de virarem.



A travessia dos açudes eram sempre momentos descontração e de descanso.



E por fim tudo chegou ao fim, na praia fluvial de Barcelinhos. Felizmente só nos pediram para tirar as canoas da àgua. Não as tivemos que as arrastar até aos atrelados.




E por quanto ficou uma tarde inteira nesta actividade? Surpreendentemente foi ... grátis!!! Por isso temos todos que agradecer a associação Amigos da Montanha e a sua excelente organização.

domingo, 26 de abril de 2009

Tradução de termos em informática

Está a ler este artigo que está alojado no meu computador pessoal. Isto é possível com o recurso a uma pilha de aplicações: Linux, Java, Tomcat, Pebble. Todas elas são grátis e são fruto de trabalho voluntário por todo o mundo.

A última aplicação da cadeia anterior é Pebble que é o "motor" deste blogue. Num destes dias enviaram um email para a sua mailling-list, a pedir ajuda na tradução do seu interface gráfico. Parece ser uma tarefa simples por isso decidi dar o meu contributo de volta.

Quanto tempo acham que demoram a traduzir um ficheiro de 370 linhas? Quando dei uma vista de olhos, pensei que em duas horas o despachava.

Após alguns minutos de edição, esbarro na palavra login. Desde que uso computadores que essa palavra está sempre presente. Significa identificar uma pessoa num sistema informático ou iniciar uma sessão. Mas como se traduz login para português ? 

Após um bloqueio mental de um minuto decidi procurar no Google. No fim este trabalho acabou por se arrastar por um dia inteiro. Deparava-me constantemente com dois problemas:
  • a tradução directa de uma palavra do inglês, não se enquadra neste ambiente. Por exemplo "home" traduz-se para "casa", mas na NET, é a expressão mais apropriada é "página inicial".
  • uma palavra tem um comportamento ou significado associado que em português, tem que ser expresso por várias palavras. Por exemplo: "referers" traduzi para "Sítio web referentes".
Encontrei dois sítios na NET que foram a minha referência nesta tradução:

Aqui ficam mais algumas palavras como exercício mental:
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Este trabalho foi aceite pelo gestor do Pebble e resultou na actualização completa do ficheiro de tradução para português. Este será disponibilizado na próxima versão 2.4 a ser lançada brevemente.