domingo, 31 de dezembro de 2006

Corrida de São Silvestre no Porto

Finalmente fiz uma corrida do princípio ao fim. Após participações noutras em ritmo de passeio, decidi que desta vez seria a sério.

A meteorologia não ajudava com uma persistente chuva miudinha e rajadas de vento. Estava encharcado e com frio e só tinha saído do carro à 15 minutos enquanto me dirigia a pé, para a Câmara do Porto.

Após uma corridinha de 20 min de preparação, fui para a linha da partida. Juntei-me a meio da massa humana de 5000 atletas. Faltavam poucos minutos para  as 20:30. Nesse período de tempo só pensava no que raio estava a li a fazer à chuva e a lembrar-me que a subida até à Praça do Marquês afinal até era mesmo íngreme e comprida.

Mapa do percurso

Partida! O pessoal ficou possesso. Imposeram-me logo um ritmo avassalador. Quem se sujeita a uma corrida à chuva, é porque são "pro's" e não estavam ali no passeio. Não podia abrandar ou seria atropelado por mais 2000 atletas atrás de mim. Rapidamente já estava a subir pela Rua Sá de Bandeira e já me sentia cansado. Uma olhadela ao relógio medidor de frequência cardíaca, e pânico ... este já me media 179bpm. O normal nos treinos era 160 bpm com os quais sabia que consegui fazer 10km no tapete. Era impossível manter este ritmo por mais 1 minuto. Abrandei imediatamente ...

A partir desse momento parecia que estava a caminhar para trás, tal era a quantidade de pessoas a ultrapassar-me. Mas segui ao meu ritmo. Consegui fazer a subida até à Praça do Marquês e sentia-me bem. Nesse momento só tinham passado 3 km e continuava a ser ultrapassado. Eu já olhava para trás à procura do "carro vassoura". O percurso de volta até à Praça da Liberdade, foi sem história, tirando o percurso a descer em paralelo que dava ideia que podia "malhar" a qualquer momento.

Chegava a segunda volta ao circuito. Outra vez o inferno da subida. Mas desta vez surpresa. Os primeiros a andar a passo. Primeira ultrapassagem, um tipo lesionado ou com caimbras. Minutos depois, outra ultrapassagem com um a apertar os cordões das sapatilhas. Terceira ultrapassagem, grupo de dois que faziam a subida a passo e na conversa. Quarta, um personagem vestida de monge, o qual já o ouvia desde km antes, a berrar "Aleluia" a todos que assistiam do passeio. Estava moralizado. Acelerei o ritmo logo após o fim da subida. Após alguns minutos precisei de fazer uma paragem técnica. Cordões desapertados. Felizmente não era na sapatilha com o sensor. Podia a ter perdido e ser desqualificado.

Finalmente cheguei a meta. Tinha feito o percurso em aproximadamente 1h no que se tornara no meu recorde pessoal ... e único. Tinha conquistado o meu objectivo. TERMINAR uma corrida ;-)

A parte mais dificil acabou por ser caminhar os 15 minutos para o carro. Encharcado, o frio estava a atacar. Mas estava satisfeito comigo mesmo por ter conseguido este objectivo.

Desta corrida tirei algumas lições:
  • Nunca estar na partida no meio de um pelotão de competição. Corro o risco de  sou atropelado e desmoralizar com tantos a ultrapassarem-me.
  • Não estar vestido a rigor. A roupa ficou encharcada e parecia que tinha colocado pesos no fato de treino e no corta vento. Para a próxima basta uma t-shirt e calções.
  • Estacionar o carro muito mais perto. Apanha-se um frio tremendo a andar no Porto com roupa à desportiva.
Para quem quiser saber mais informações sobre corridas organizadas cá no Norte, consultem a página da organização Clube Veteranos do Porto. Agora, só me resta planear a próxima actividade!!!

Actualizado 2007/01/03: Já sairam os resultados oficiais. Fui o 1267º a passar a meta em 1385 atletas e com o bonito tempo de 1h00m16s.