quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Visita aquedutos subterraneos do Porto

No Porto, por baixo das suas ruas, jardins e dos poucos campos de cultivo ainda existentes, passam canais subterrâneos de transporte de água. São túneis construídos há centenas de anos atrás, com o objectivo que fornecer água potável à população da cidade.

Esses túneis estão abertos ao público para quem tiver curiosidade em os visitar. E foi com isto que passei um domingo de manhã diferente.

O passeio começou nos Jardins de Arca d'Água, onde se localiza um dos poços de entrada.


Logo aí começamos num grande espaço aberto, onde se localizam as nascentes de água. É a parte mais fotogénica da visita, porque está muito bem iluminada e tem um aspecto de termas romanas antigas.

Mas a partir daqui deixou de ser um passeio para passar a ser um treininho matinal como na tropa. Percorremos as duas horas seguintes por túneis escuros (lanternas obrigatórias), sempre a caminhar em água com alguns cm de altura (galochas obrigatórias), por espaços em que metade do trajecto vamos bater com a cabeça no tecto (capacete também obrigatório). Nem os meus normais 1,66m de altura ajudaram para variar ;) 
As palavras mais ouvidas nesta manhã eram "Cabeça", "Pedra", "Degrau", Buraco". A frase imediatamente antes - "Cuidado com ..." - era redundante e deixou de se usar ao fim de 10 minutos.

Enquanto caminhamos, o canal de água encontra-se sempre do nosso lado esquerdo. Ao fim de algum tempo, ficamos com a mão suja por estarmos sempre a usar as bordas desse canal, como apoio. Se levarem a essencial câmara de fotografar na mão direita, então uma lanterna para o capacete também é recomendável. Também recomendo que não se encostem muito à parede do lado direito. Ao ver uma das fotos tiradas no escuro com flash, descobri inúmeros bichos rastejantes e dos com mais de quatro patas, que me passaram completamente despercebidos na altura.

Durante a visita, por três vezes tivemos que fazer pequenos trajectos de ligação no exterior dos túneis. No maior percurso destes foi para passar pela linha do metro só para voltar a entrar dentro do recinto da FEUP antiga. Pelos vistos, se este passeio tivesse sido realizado a um sábado, podíamos ter feito este último percurso por mais tempo dentro de túneis. A razão era o impedimento de passar por baixo de um armazém militar existente ao lado da linha de metro. Mas pelo lado positivo, conheci mais umas zonas do Porto completamente desconhecidas ... quem diria que existia um enorme campo de cultivo, mesmo ao lado da Rua da Boavista!!!

Cinco anos na FEUP e nunca tinha reparado nisto. Por baixo das escada de cimento que fazem o acesso entre o parque do Edifício Central e o parque de Minas, encontra-se uma porta de ferro. Esta é o acesso a mais um troço de ligação destes subterrâneos. Mas foi o mais curto de todos porque terminou logo após a Praça Coronel Pacheco, numa fonte que está lá.
No fim, apesar deste passeio algo desconfortável, gostei bastante e recomendo-o vivamente a todos os nativos do Porto. Quem pretender fazer também este exercício matinal, consulte a página do SMAS do Porto, que é responsável pela manutenção deste museu histórico da cidade. Aviso que as marcações das visitas terão que ser feitas com bastante antecedência, o que demonstra bem o interesse geral por esta pequena maravilha de engenho humano português.
Outras fotos em Expresso.pt